Mais de um milhão <br>de brasileiros protesta contra <br>as reformas de Temer

PROTESTO Cerca de um milhão de pessoas participaram em manifestações e paralisações em todo o Brasil, no dia 15, contra as reformas da Previdência e do trabalho propostas pelo governo de Michel Temer.

Começou a cair a ficha sobre o tamanho do ataque das reformas

O cimento aglutinador que levou a Frente Brasil Popular, a Frente Povo Sem Medo, as nove centrais sindicais e diversas organizações do movimento social a mobilizarem multidões em cidades e capitais de pelo menos vinte estados foi a defesa da Previdência Social e do direito à reforma. Ambos estão fortemente ameaçados pelo governo ilegítimo de Temer, que pretende impor ao país a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, que na prática impedirá os trabalhadores de aceder à reforma.

A jornada de luta ficou marcada por paralisações nos sectores dos transportes, banca, metalúrgico, ensino, químico e administração pública em todo o país. Face à adesão registada – silenciada e/ou menorizada pela generalidade dos órgãos de comunicação social dominantes – os organizadores dos protestos consideram, como referiu o portal Vermelho, que o «recado está dado»: o povo brasileiro não vai aceitar passivamente as reformas que põem em causa o trabalho com direitos e o direito à reforma condigna.

Segundo a Frente Brasil Popular, só na Avenida Paulista, em São Paulo, a manifestação que encerrou o dia de mobilizações reuniu cerca de 300 mil pessoas, que exigiram a rejeição total da PEC 287 e manifestaram o seu repúdio pelo governo golpista com um interminável coro de «Fora Temer».

Para Guilherme Boulos, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Tecto (MTST), o dia 15 constitui «um marco», já que regista um salto qualitativo na luta com a mobilização de pessoas de sectores muito distintos. «Começou a cair a ficha sobre o tamanho do ataque das reformas trabalhista e da Previdência. É o início de um novo momento», afirmou.

Aposentadoria fica, Temer sai

Um dos principais pontos da reforma da Previdência é o estabelecimento da idade mínima de 65 anos para a aposentação, eliminando a concessão do benefício por tempo de serviço. O valor da reforma, de acordo com o projecto, passará a ser calculado levando-se em conta 51 por cento das maiores contribuições com um por cento adicional por cada ano de contribuição. Na prática, isso faz com que seja necessário trabalhar formalmente pelo menos 49 anos para se obter a reforma integral.

A rejeição da reforma da Previdência está a ser exigida até por partidos e sectores que apoiam o executivo. Instituições como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e mais 160 entidades da sociedade civil expressaram preocupação com as restrições ao direito à aposentadoria, refere o Vermelho, alertando para o facto de o governo neoliberal estar a tentar apressar a votação da PEC 287 no Congresso Nacional com receio de sofrer uma grande derrota imposta pela «rua».

Entretanto as implicações da proposta de «reforma» do governo fazem-se já sentir ao nível da banca, como denunciou a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira, com a sobrevalorização dos planos de previdência privada. «Essa reforma só beneficia os banqueiros. Ela prejudica em especial as mulheres, que ganham até 30 por cento menos do que os homens e cumprem dupla jornada. Se igualar a idade mínima, elas serão as mais prejudicadas. A Previdência é do povo. Esse governo golpista não pode acabar com ela», afirmou.

Para a Frente Brasil Popular, as manifestações de dia 15, iniciadas com grito das mulheres dizendo que «Aposentadoria fica, Temer sai», demonstraram a disposição do povo brasileiro de «defender os seus direitos com unhas e dentes», pois «não é um presidente sem voto e golpista que vai destruir a Consolidação das Leis do Trabalho e as conquistas históricas garantidas depois de muita luta, suor e sangue».




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